O Melhor do Mundial de Motovelocidade 2018

O Melhor do Mundial de Motovelocidade 2018

Por Sportv – O motojornalista espanhol Antonio López, recentemente incorporado à brilhante equipe do ‘nuestro’ Manoel Pecino, faz um balanço do melhor – e do pior – do Mundial de Motovelocidade 2018. Vamos a ele…

A melhor corrida: GP da Holanda

Felizmente, neste 2018 vivemos várias corridas que seriam dignas de estar nesta posição, como as da Argentina, Áustria, República Checa ou Tailândia. Todas elas seriam dignas deste prêmio, mas nós optamos pelo GP da Holanda. Em Assen assistimos a algo épico: um grupo mais típico da Moto3 do que da MotoGP, com adiantamentos “infinitos”, sem qualquer estratégia que não fosse não ficar para trás em circunstância alguma. Com contatos contínuos e pilotos que pareciam estar indo para o chão, mas imediatamente recuperavam a verticalidade; Com traçados que ultrapassaram os limites do circuito e muitas ações que convidam a ver de novo e de novo esta corrida. Este GP vai pasar para a história como uma das corridas mais bonitas e espetaculares, e se tivesse uma ultrapassagem de última curva teria sido a melhor de sempre.

A melhor ultrapassagem: Lorenzo no GP da República Checa

Se para a melhor corrida havia vários candidatos, para a melhor ultrapassagem também tivemos um monte para escolher. No final, optou-se pela dupla ultrapassagem de Jorge Lorenzo em Brno. E não só pela espetacular e bela ação que nos deixou, mas porque numa única manobra ele ultrapassou os dois pilotos mais fortes do momento: Márquez e Dovizioso. Sua ultrapassagem foi de uma limpeza e “doçura” que a fez parecer fácil. Jorge rodava atrás dos dois, Marc e Andrea e, na frenagem da chicane antes da chegada, superou a Honda com um ataque de longe e, em uma manobra com muita velocidade que o trouxe para perto de Andrea, que na mudança de direção para mirar a linha de chegada, ele passou o italiano por dentro. Além de tudo isso, devemos ter em mente que naquela época os três lutavam por tudo no campeonato.

O final de corrida mais intenso: GP da Áustria

Desde que a etapa austríaca retornou aos GPs, trouxe duelos na cabeça dos mais emocionantes. Desta vez, os protagonistas foram Lorenzo e Márquez, que ficaram cegos pela vitória e plantaram no asfalto todo o seu talento. A última volta foi de respiração presa como se estivéssemos em plena escaramuça. Jorge ultrapassou Marc onde isso não era esperado e este devolveu com uma manobra no interior, enquanto a Ducati segurava o ritmo no exterior em uma ação surpreendente. A intensidade foi máxima entre os dois pilotos que juntos conquistaram os últimos 7 campeonatos. Foi finalmente Lorenzo que levou o gato para a água… Se você quiser despertar o interesse de um amigo pelas corridas, mostre-lhe este GP da Áustria de 2018.

Melhor largada: Lorenzo no GP da Holanda

Jorge Lorenzo saindo em décimo no GP da Holanda, o primeiro da quarta fileira do grid… 12 segundos depois era o segundo! Oito posições em um piscar de olhos, superando pilotos da estatura de Dovizioso, Rossi, Viñales, Crutchlow, Zarco e Iannone. Enquanto todos estavam à procura de um espaço no interior, Jorge superou-os em seu estilo mais puro: pelo lado de fora. Ele passou todo mundo por fora exceto Cal, que foi superado com um mergulho interior surpreendente para ocupar o segundo lugar.

A melhor ‘salvada’: Marquez no GP da Espanha

Esta seção é a reserva privada de Márquez. Deixou de ser uma surpresa cada vez que ele apaga a lista de quedas por uma ação daquelas que salva com o cotovelo ou com ajuda “divina”. Normalmente são salvadas da perda da frente, uma ação que geralmente termina com o piloto no chão. Nós ficamos com a de Jerez, por ser uma nova situação, naquela ocasião foi o pneu traseiro que encontrou vestígios de cascalho na entrada da curva Ferrari, um dos pontos mais críticos e rápidos da pista espanhola. A RCV de Márquez atravessou a 180 km/h, mas Marc não só evitou a queda, como também não perdeu tempo. Qualquer outro piloto teria dedido de meio segundo, mas ele manteve a distância sobre os seus rivais e repetiu os tempos que tinha marcado nas voltas anteriores.

Melhor pole position: Márquez no GP da Tailândia

Durante todo o ano, nós experimentamos Q2s tão emocionantes quanto as próprias corridas. Em Assen, por exemplo, em apenas 5 segundos Andrea Iannone passou de primeiro a nono; ou como em Aragão, onde Lorenzo recuperou subitamente na última parcial todo o temp perdido nas primeiras três quartas partes da volta. Também lembramos da pole de Jack Miller na Argentina, onde ele arriscou com o pneu seco em uma pista ainda molhada, uma aposta que correu bem. Mas, no final, decidimos ficar com a pole position de Marc Márquez na Tailândia, porque foi a primeira vez que um piloto que tem que passar pelo Q1 acaba fazendo a pole. Márquez arriscou naquela volta, mesmo que ele estivesse jogando o título e mesmo que o fim de semana não estivesse indo tão bem como ele esperava.

O piloto surpresa: Bautista no GP da Austrália

É engraçado que nós tenhamos Bautista nesta seção, na temporada que deixa a MotoGP para ir para a SBK. Que seja ele, que nos deu a surpresa em apenas uma corrida não é muito marcante, mas foi assim. Alvaro surpreendeu a todos com a oportunidade que ofereceram para pilotar a moto de Lorenzo. Ele lutou com os melhores e merecia o pódio, mas uma caixa de câmbio extremamente sensível em comparação com sua moto usual, impediu-o de atacar na última volta. Na memória será o avanço sobre Dovizioso na descida para a curva 10, e acima de tudo, a facilidade e desembaraço mostrados em todo o GP.

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A situação mais surreal: largada do GP da Argentina

A situação mais surreal que ocorreu neste 2018 vivemos no grid de largada na Argentina… Se passou de tudo. Em princípio, era estranho ver Miller com a satélite Ducati na pole position, mas o australiano apostou no Q2 que a pista iria secar e se deu bem. O mais intrigante veio mais tarde, quando todos, exceto Miller, decidiram depois que o warm-up ir para o Pit Lane trocar de moto. Isso levou a organização a ser forçada a cancelar a largada, porque não era seguro ter tantos pilotos saindo do fim do pit lane. Ao mesmo tempo, o grid não poderia ser repetido, porque Jack, que tinha ficado em seu lugar, teria sido prejudicado. A solução tomada foi atrasar todo o o grid até o fim dele, isto é, teve que alinhar da nona fila. Miller partiu de sua posição de pole e nove fileiras mais para trás, o resto. Mas se isso já era controverso, o “melhor” estava prestes a chegar: Marc deixa a moto apagar no meio da pista, gira ao redor, e na direção oposta, retorna à sua posição. Tudo isso, ajudado por um dos Comissários de Prova. Como o chamamos: o mais surreal.

A melhor celebração: nível 7

Sem dúvida, o título de Marc. E além da montagem, que foi espetacular, porque pela primeira vez Márquez fez um aceno para os grandes campeões da história do Campeonato do mundo. A celebração consistiu em uma simulação de um videogame do começo dos anos 90 em que Marc tinha que ir subindo de nível até alcançar o 7, onde são Phil Read e John Surtees, com quem agora empatou em títulos do mundial. Acima, ele ainda tem Ubbiali, Hailwood, Rossi, Nieto e Agostini, e todos eles apareceram em uma classificação como os próximos desafios à frente. Claro, um grande detalhe.

O recorde mais sonhado: Can Öncü

Para encontrar o grande recorde deste 2018 você tem que ir para baixo até a menor de todas as categorias. Redding teve a honra de ser o mais jovem piloto a vencer um GP, mas veio o piloto turco Can Öncü que, com apenas 15 anos e 115 dias, obteve a vitória em sua primeira participação em um GP. Ou seja, abaixo da idade mínima permitida para participar, 16 anos. É que o vencedor do Mundial Júnior ou a Red Bull Rookies Cup, está autorizado a participar na Moto3, mesmo que não tenha essa idade mínima. E veja, Öncü aproveitou mais do que bem o convite para a corrida de Valência, registrando um recorde que será muito difícil de bater.

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O pior de 2018

A despedida de Dani Pedrosa

Por 20 anos temos seguido Dani, desde que em 1999 foi um dos escolhidos para a Copa Movistar, onde acabaria por ser um dos melhores pilotos de todos os tempos. A MotoGP não será a mesma sem Pedrosa, que, apesar de não poder se despedir r este ano com uma vitória, manterá por longo período o recorde de 16 anos consecutivos vencendo. Um recorde que durará pelo menos oito anos, porque é Marquez que está mais perto de chegar lá.

A NÃO-corrida de Silverstone

Não há nada pior em um GP que não realize a corrida, e isso foi o que aconteceu na Grã-Bretanha. O reasfaltamento do traçado resultou em um desastre nas condições de chuva que ocorreram em Silverstone. Uma situação que estava perfeitamente conscientizada nos responsáveis pelo circuito, que esconderam essa realidade do organizador do campeonato. Depois de uma gestão mais do que duvidosa da situação, após oito horas de incerteza, as corridas de domingo foram canceladas. Após este incidente, veio um regulamento que irá adiar para o dia seguinte ou o próximo a celebração de um GP que, por qualquer motivo, não possa ser executado no domingo.

O incidente na Argentina

Marc e Rossi voltaram a tê-los novamente depois de um “período de paz” que poderia ter durado para sempre, mas Márquez foi para o GP da Argentina como se estivesse sozinho na pista, sem o menor pudor de ir deixando “amigos” ao longo do caminho. Rossi, que acabou no chão, foi uma das suas vítimas. As afirmações subsequentes de Valentino e toda a controvérsia relacionada são coisas que não queremos neste esporte.

O descerebrado Fenati

A ação de Fenati, pressionando a manete do freio dianteiro de Manzi em plena reta, foi a coisa mais infeliz que já vimos. Mas a crucificação que foi feita do piloto na semana seguinte, saindo em todos os meios de comunicação como se fosse um assassino, foi totalmente desproporcional. Esperemos que, se isso serviu para alguma coisa, que seja que nunca mais testemunhemos tal ato.

Fonte original do texto: Sportv – https://sportv.globo.com/site/blogs/mundo-moto/noticia/mm-artigos-imperdiveis-o-melhor-do-mundial-de-motovelocidade-2018-de-antonio-lopez-para-pecinogpcom.ghtml

 

 

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